Do alto de seu
ceticismo, o apóstolo Tomé, suscitou com sua célebre
dúvida um sentimento comum de todos nós: "ver para
crer". Esta é a máxima postura de controle aparente
que nós almejamos. Um controle que, na atualidade, é
cada vez mais falso para uma sociedade que usa dos fortes apelos visuais
para vender idéias e formar opiniões.
Hoje, com a arte
televisiva, de computação gráfica e publicitária,
talvez Tomé exercitasse o seu ceticismo com mais radicalismo,
formulando algo como: "ver para analisar e formar uma crença".
Deixando Tomé
um pouco de lado, quero aqui pegar a sua formulação
para refletir sobre uma inversão já proposta por vários
autores: "crer para ver".
Para o que pretendemos
analisar, nos parece apropriada esta frase como ponto de partida,
particularmente quando vamos falar da construção de
negócios sem grandes estruturas físicas, sem a aplicação
de muitos recursos, em meio ao capitalismo voraz e sem a relação
patrão/empregado a mover os "índices" de produtividade:
o Marketing Multinível.
Mistério
inerentemente espiritual ou apenas uma palavra forte e com significado
apropriado? Não importa! Para construir qualquer trabalho de
sucesso em MLM é preciso, antes de tudo, ter FÉ.
A grande aventura
das realizações exige o primeiro passo, e ele só
será firme e inabalável se estiver envolto em um nobre
sentimento de fé. Mas, a fé é ameaçadora,
é temível, é implacável. A fé exige
que abandonemos o controle, a redoma de conforto aparente que criamos
em torno de nós mesmos. Ela é ameaçadora e nós
resistimos, criando os obstáculos em nosso próprio caminho.
Por que acreditar
em algo que nos parece impossível? Por que acreditar que podemos
ser economicamente independentes com uma atividade tão nova
e diferente, se o pouco que conseguimos até aqui foi fruto
de trabalho árduo, seja nos submetendo às ordens de
nossos inúmeros patrões, seja nos escravizando em um
negócio próprio tradicional?
Por que acreditar
que somos capazes, se nossos pais nos disseram o contrário,
se nossos professores nos ensinaram como nos moldar ao status quo
estabelecido e nossos orientadores religiosos nos convenceram que
tudo não passa de um designo de Deus?
A realização
de nossos sonhos — como a própria vida humana —
começa na escuridão. É preciso reconhecer isso.
Quem quer alcançar uma vida de sucesso precisa compreender
que nem sempre somos abençoados com clarões a nos apontar
o caminho.
A escuridão
dos paradigmas que nos impuseram, a escuridão das derrotas
anteriores que sofremos, a escuridão interior que nos consome,
é o ponto de partida.
O momento mais
escuro da madrugada, é antes da aparição dos
primeiros raios solares. E para que isto não se torne apenas
frase de efeito, o elemento fé deve estar norteando os passos
que virão a partir daí.
É preciso
romper com os paradigmas que nos prendem, construir luz própria
em meio à escuridão de nossos medos, quebrando nossa
caixa de controle e subverter a ordem dos esquemas prontos que introjetaram
em nossas mentes.
Antes de qualquer
das tecnologias e descobertas revolucionárias que forneceram
as bases para a vida moderna se tornar possível, seus idealizadores
já tinham um motivo firmemente enraizado em seus corações:
a fé! Quer buscassem riqueza, fama, satisfação
ou expressão, eles tinham um supremo desejo de alcançar
suas metas e uma crença capaz de superar qualquer obstáculo.
A introdução
do automóvel em todas as cidades, vilas ou lugarejos foi o
sonho de Henry Ford. Um engenho movido à hélice, que
se levantasse do chão na vertical, capaz de ficar parado no
ar e mover-se em qualquer direção, tornou-se a força
que impulsionou Sikorsky.
Sonhadores? Loucos?
Lunáticos? Não sei você, mas eu acho que eram
sim. E, hoje, diferentemente de quando me envolvi pela primeira vez
com o Marketing de rede, sinto um grande prazer quando sou rotulado
assim.
Para sair do controle
é preciso agir
Qualquer coisa é possível para quem tem fé, para
quem crê e que um dia vai ver seu castelo de sonhos erguido
sobre bases sólidas. No entanto, um elemento é fundamental
nesta matemática da vida: a ação. Para romper
com os padrões de controle que tentam a todo momento congelar
nossos sonhos, é preciso se mexer. O mestre Og Mandino já
dizia:
— Meus sonhos
são insignificantes, meus planos são poeira, meus objetivos
são impossíveis. Todos nada valem, a não ser,
seguidos por ação.
Ficar sentado
numa poltrona usando um hidratante para o corpo de sua parceira comercial,
ou tomando uma vitamina, ou comendo uma barra nutricional, ou se deliciando
com um shake para regimes alimentares, ou fazendo uma ligação
internacional com custos reduzidíssimos, ou deixando o cheque
pronto para pagar mais uma parcela do seu seguro de vida; por mais
que você tenha fé, não vai lhe levar muito longe.
Usar os produtos
de sua empresa e ficar arquitetando cenas de grandeza futura pode
ser agradável e relaxante, mas nunca vai conduzi-lo ao topo.
Um homem de idade,
descansando nos degraus da entrada de sua casa, pode contar às
crianças da vizinhança que ele poderia, se tivesse vontade,
ter sido um homem de negócios, um herói cheio de condecorações
ou um audaz aventureiro.
Os jovens podem
acreditar por pouco tempo, porém, mais cedo ou mais tarde,
concluirão que "se" e "ser", apesar da
proximidade na escrita, são dois mundos totalmente diferentes.
Homens de fé,
mas que realizam o que acreditam, vivem no mundo do "eu sou",
"eu fiz", e não no reino sombrio do "eu poderia
ter..."
Portanto, meu
amigo ou minha amiga, se você tem certeza do que você
quer, tenha fé. Acredite firmemente que suas metas podem ser
atingidas. Mas, sobretudo, arregace as mangas e trabalhe de forma
árdua para que elas se realizem.
No entanto, com
as experiências amargas, porém educadoras que tive antes
da parceria que ora escolhi para edificar os meus sonhos, não
poderia deixar de fazer uma consideração.
Talvez você
se assuste com a frase, afinal ela não é tão
ortodoxa como aquelas dos livros positivos que sabiamente os seus
uplines costumam lhe indicar, mas é o grito de guerra que trago
comigo e gostaria de compartilhar: "sem tesão, não
há solução"! Sim... Pois aprendi que esta
é uma atividade que precisa ser exercida com prazer. A vida
precisa ser curtida em sua plenitude. Trabalhe duro, mas se estiverem
lhe dizendo para abrir mão do cineminha, do teatro, do aniversário
do seu filho, da praia do final de semana, do barzinho com sua cara
metade, desconfie...
O Marketing Multinível
é, antes de tudo, uma oportunidade de ser uma pessoa melhor
e ser capaz de estabelecer relações humanas mais calorosas.
Não é uma doutrina disciplinar militarizada, onde a
estratégia de guerra é ganhar dinheiro, alcançar
o sucesso nem que seja preciso arrasar com o que há de mais
belo e inegociável: o prazer de viver.
Melck Aquino é
Jornalista e Consultor Político.
OBS: Texto adaptado
da edição Nº 18 (dezembro de 1998), do extinto
Jornal Estágio 10.